Doença de Parkinson: A Importância das abordagens Cognitivo-Motoras

Não obstante a Doença de Parkinson (DP) ser caracterizada como uma desordem do movimento, apresentando como principais sintomas o tremor, a lentidão de movimentos (bradicinesia), a rigidez muscular e as alterações posturais, existem outros sinais e sintomas sistêmicos inerentes à doença que são de caráter não motor, que também fazem parte da apresentação da doença e podem estar presentes antes mesmo de que os sintomas motores sejam detectados, às vezes por anos ou até décadas. Alguns exemplos dos sintomas não motores são as alterações psiquiátricas, do sono, sensoriais, cognitivas, entre outras.

Com relação em especial às alterações cognitivas, apesar de estes acometimentos serem mais evidentes em estágios mais avançados da DP, estudos reportam declínios em diversos domínios cognitivos, como atenção, habilidades visuoespaciais e de memória, presentes antes mesmo do momento passível de detecção por testes clínicos e inclusive no momento do diagnóstico da doença ainda em fases iniciais. De fato, sabe-se que pelo próprio envelhecimento per se já ocorre um declínio cognitivo, que está relacionado à perda de ramificações dendríticas em especial no córtex pré-frontal, perda de tecido neural na substância cinzenta e declínio da atividade dopaminérgica em áreas frontais, o que justificam os declínios na flexibilidade mental, pensamento abstrato e atenção com o decorrer da idade.

Na DP, as deficiências cognitivas podem variar desde prejuízos moderados em domínios específicos, até evolução para demência severa afetando diversos domínios, com acometimento importante da memória, atenção, linguagem, habilidades visuoespaciais, visuoconstrutivas e funções executivas.

Estes domínios cognitivos invariavelmente afetam também a realização de ações motoras, como a marcha (o andar). Muitos estudos abordam a influência dos processos cognitivos em especial no controle da marcha e postura, entretanto apenas nesta última década é que a relação entre distúrbios da marcha e funções cognitivas de ordem superior têm recebido maior atenção. De fato, existem componentes cognitivos na generalização e manutenção de um padrão de marcha consistente e normal, onde deficiências em variáveis específicas da marcha têm sido associadas a um aumento do declínio cognitivo e à incidência de doenças degenerativas, como a Doença de Alzheimer, por exemplo. Na DP, a correlação entre declínio cognitivo e distúrbios da marcha se tornam mais óbvios com a progressão da doença e acarretam um impacto significante no prognóstico em longo prazo da doença.

Diante do contexto, faz-se necessária a intervenção terapêutica multidisciplinar especializada no tratamento do indivíduo com DP. Em relação à fisioterapia, além dos exercícios que enfocam melhora do equilíbrio, da integridade muscular, da adequação dos ajustes posturais, e melhora do padrão de marcha, as intervenções terapêuticas também são calcadas em exercícios ditos cognitivo-motores, aplicados de forma tanto isolada quando conjunta.

Assim, os exercícios trabalhados estimulam diferentes tipos de habilidades cognitivas e de funções executivas, como tipos de memória, tomada de decisão, planejamento motor, monitoramento das atividades motoras, foco da atenção, com o intuito de melhorar ou ao menos impedir a progressão das deficiências tanto cognitivas como motoras inerentes à DP e ao próprio envelhecimento. Com relação aos aspectos e domínios especificamente cognitivos, de fato, existem evidências de que intervenções cognitivas promovem melhora de domínios cognitivos como, por exemplo, da atenção e memória em idosos sem demência, além de melhorar o desempenho durante a marcha.

Esta melhora do desempenho das tarefas cognitivas juntamente às tarefas motoras é muito importante na manutenção da independência funcional do paciente, e na diminuição da velocidade de progressão da doença, por estimulação de processamentos neurais de plasticidade cerebral.

Em nosso núcleo especializado em atendimento de indivíduos com DP (PROPARK), as intervenções fisioterapêuticas são traçadas de forma personalizada e de acordo com o que há de mais atual na área. Venha fazer parte de nosso time de pacientes!

Profa. Dra. Cynthia Bedeschi

CREFITO-3 / 46.056-F

Fisioterapeuta

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